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Dia Mundial da Obesidade: diagnóstico vai além da balança

Na data de conscientização para a doença, especialista da rede pública de saúde do DF explica novas diretrizes que tornam a avaliação mais individualizada.

Neste 4 de março, Dia Mundial da Obesidade, especialistas alertam que o diagnóstico da doença não pode mais ser baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC). Um novo conjunto de recomendações amplia os parâmetros de avaliação e passa a considerar o impacto real do excesso de gordura na saúde, propondo uma análise mais completa e individualizada de cada paciente.

 Especialistas alertam: o diagnóstico de obesidade não pode mais ser baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC) | Fotos: Divulgação/IgesDF

Em 2025, a Comissão para Definição de Obesidade Clínica da revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology, composta por 56 especialistas de diferentes países, publicou um artigo que reformula os critérios para identificação da condição e propõe uma abordagem mais precisa e personalizada.

Até então, o diagnóstico era baseado principalmente no IMC, calculado pela divisão do peso pela altura ao quadrado. Valores iguais ou superiores a 30 indicam obesidade. No entanto, segundo o documento, o uso isolado desse indicador pode não refletir com exatidão a composição corporal e os riscos metabólicos associados ao excesso de gordura.

Pessoas com elevada massa muscular, por exemplo, podem apresentar IMC acima de 30 sem acúmulo excessivo de gordura. Por outro lado, indivíduos com IMC inferior a 30 podem ter alto percentual de gordura corporal e alterações metabólicas relevantes. Essa limitação motivou a atualização das diretrizes internacionais.

Para a endocrinologista Tatiana Wanderley, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a mudança representa um avanço importante na prática clínica.

“Já acompanhei atletas com alta massa muscular que apresentavam IMC na faixa de obesidade, mas sem excesso de gordura. Também atendi pacientes com IMC abaixo de 30 e percentual de gordura elevado. O novo formato permite uma avaliação mais precisa e individualizada”, explica a médica.

A analista executiva Beatriz Duarte relata que vivenciou situação semelhante antes da atualização dos critérios: “Quando comecei o acompanhamento médico, meu IMC estava em 29, o que indicava sobrepeso. Mas, ao realizar um exame de avaliação corporal, descobri que meu percentual de gordura estava alto. Hoje entendo que havia risco e que a avaliação mais detalhada fez diferença para buscar orientação adequada”.

Segundo a especialista, a ampliação dos parâmetros contribui para diagnósticos mais precisos, intervenções mais oportunas e redução do estigma associado à obesidade. A proposta é direcionar o cuidado às necessidades específicas de cada paciente, com base em evidências clínicas e no impacto do excesso de gordura sobre órgãos e sistemas.

A medição da circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e a avaliação do percentual de gordura corporal também devem ser levados em consideração no diagnóstico da doença

Novos critérios

Entre as recomendações estão a medição da circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e a avaliação do percentual de gordura corporal. O diagnóstico também passa a considerar a presença de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e distúrbios respiratórios, além de possíveis comprometimentos funcionais decorrentes do excesso de gordura.

O modelo estabelece ainda duas classificações: obesidade clínica, quando já há doença instalada ou prejuízo funcional relacionado ao acúmulo de gordura; e obesidade pré-clínica, caracterizada pela ausência de sintomas, mas com risco elevado à saúde.

De acordo com a especialista, a obesidade é considerada um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo, associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras condições crônicas. “A adoção de parâmetros mais abrangentes busca fortalecer a prevenção e qualificar o cuidado oferecido à população”, avalia.

No fim de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em parceria com outros órgãos, publicou um artigo que reforça a definição apresentada pela The Lancet e acrescenta a avaliação do risco cardiovascular individual como critério relevante para definição do tratamento.

*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

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